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Adolescentes e o tratamento
antiretroviral
(modificado do Guia de Tratamento Clínico da Infecção
pelo HIV em Crianças 2002/2003)
Jorge Andrade Pinto
Prof. Adjunto do Departamento de Pediatria e Coordenador do
grupo de aids materno infantil da Faculdade de Medicina da UFMG
O adolescente infectado pelo HIV através de transmissão
sexual ou uso de drogas injetáveis, após a puberdade, parece
ter curso clínico semelhante ao do adulto. Entretanto, um número
crescente de crianças infectadas perinatalmente pelo HIV está
atingindo a adolescência e apresenta curso clínico diferente
dos adolescentes infectados mais tardiamente.
A prescrição de medicação anti-retroviral
deve ser adaptada de acordo com o estadiamento da puberdade. Para isto,
utiliza-se a escala de Tanner. O adolescente nas fases iniciais da puberdade
(Tanner I e II) deve ser tratado segundo as recomendações
pediátricas, enquanto aquele em fase adiantada de maturação
sexual (Tanner V) deve seguir as recomendações estabelecidas
para os adultos. Nas fases intermediárias (Tanner III e IV), o
tratamento deve ser individualizado a critério médico. As
rápidas transformações biológicas observadas
nos adolescentes requerem adequações posológicas
freqüentes, monitorando toxicidade e eficácia do regime anti-retroviral
em uso.
Os adolescentes precisam conhecer sua condição de infectados
pelo HIV e ser totalmente informados sobre os diferentes aspectos e implicações
da infecção, a fim de cumprirem adequadamente as orientações
médicas. Além disso, necessitam ser orientados sobre os
aspectos de sua sexualidade e os riscos de transmissão sexual aos
seus parceiros. Finalmente, devem ser encorajados a envolver seus pais
ou responsáveis em seu atendimento.
A adesão do adolescente à terapia anti-retroviral sofre
a influência de algumas peculiariedades observadas nessa faixa etária,
tais como: a negação e o medo de sua condição
de infectado pelo HIV; a desinformação; o comprometimento
da auto-estima; o questionamento sobre o sistema de saúde e a eficácia
da terapêutica e as dificuldades em obter apoio familiar e social.
Com a finalidade de melhorar o acompanhamento clínico e a adesão
ao tratamento, sugerem-se as seguintes estratégias:
• Preparar adequadamente
o adolescente para a revelação do diagnóstico, de
preferência com suporte psicológico;
• Negociar um plano de tratamento em
que haja envolvimento e compromisso do adolescente, informando-o adequadamente
sobre questões ligadas ao prognóstico;
• Buscar a participação
da família, amigos e, eventualmente, de instituições
para apoiá-lo durante seu tratamento;
• Estimular a criação
de grupos de discussão entre a clientela de adolescentes atendida
pelo serviço;
• Na escolha do regime anti-retroviral,
considerar não somente a potência, mas também a viabilidade
do esquema, levando em conta a comodidade posológica;
• Esclarecer sobre a possibilidade de
efeitos colaterais e conduta frente a eles.
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