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Durante congressos em Brasília, especialistas discutem o financiamento do Fundo Global no enfrentamento à aids, tuberculose e malária


Instituição foi criada em 2001 para combater as três doenças que mais causavam morte nos países pobres ou em desenvolvimento

A Política do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária foi tema de discussão no VIII Congresso Brasileiro de Prevenção às DST e Aids e no I Congresso Brasileiro de Prevenção das Hepatites Virais. Os eventos terminam hoje em Brasília.

Para discutir o assunto, estiveram presentes o consultor do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Paulo Roberto Teixeira, a integrante da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) Cristina Pimenta, e Mauro Sanchez, do Programa Nacional de Controle da Tuberculose.

O Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária é uma instituição financeira criada em 2001 para combater as três doenças que mais causavam morte nos países pobres ou em desenvolvimento. A iniciataiva foi do então secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan. De acordo com Teixeira, o Fundo Global é responsável por 40% do financiamento internacional para o tratamento da aids, 70% da tuberculose (TB) e mais de 80% da malária.

De 2001 até hoje o Fundo Global recebeu 19 bilhões de dólares e executou 10 bilhões com o financiamento do tratamento de: 2,8 milhões de portadores do HIV, 7 milhões Tuberculose, 108 milhões de malária e comprou 122 milhões de redes protetoras contra o mosquito causador da malária. Estes recursos possibilitaram salvar 5,7 milhões de vidas e reduzir em 50% a mortalidade infantil causada pela malária, principalmente nos países africanos.

Segundo o consultor do Programa Estadual, a experiência Brasileira de acesso universal aos antiretrovirais, iniciada em 1995, foi fundamental na criação do Fundo.

Contexto atual

Com a crise econômica mundial, iniciada em 2009, houve uma redução de cerca de 44% na contribuição dos países para o Fundo. Por isso, a instituição mudou os critérios de financiamento e o foco das ações. Há uma discussão de mudar o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária para um Fundo Mundial de Saúde. O que está sendo debatido, de acordo com Teixeira, “é a mudança de paradigma do combate de doenças para o investimento em infra-estrutura de saúde, além do critério da renda dos países contemplados com os recursos.”

Com os novos critérios, os países de renda média ou média alta, como o Brasil e muitos países da América Latina, ficaram de fora dos critérios de inclusão. Para tentar reverter a situação, em maio foi aprovada a destinação de recursos para países com epidemias concentradas em populações específicas, como é o caso do Brasil, explicou Teixeira.

A apresentação do funcionamento do Fundo Global, feita por Paulo Teixeira, foi seguida das apresentações dos projetos brasileiros de aids e tuberculose para o órgão, nos anos de 2008 e 2009, em que ambos foram rejeitados.

Projetos brasileiros de aids e tuberculose

Segundo Mauro Sanchez, do Programa de Tuberculose, os projetos de TB apresentados nos últimos dois anos foram classificados na categoria 3. Isto significa que eles foram reprovados, porém eram passíveis a ressubmissão. “Apesar dos projetos serem bons, faltou organização do grupo para submeter novamente com as justificativas. “Não havia uma pessoa encarregada para redação do projeto e isso atrapalhou o processo”, avaliou.

Cristina Pimenta, da Abia, apresentou um histórico do financiamento internacional das ações da sociedade civil no Brasil e defendeu a importância de fontes externas para as ações dessas organizações. “Isso garante autonomia, sustentabilidade e contribui para a inovação das intervenções sociais."

Os dois projetos de aids apresentados para o Fundo nos anos de 2008 e 2009 foram construídos de forma compartilhada com as redes de Profissionais do Sexo, de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+), Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas, Associação Brasileira de Redutores e Redutoras de Danos (Aborda) e Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

“Realizamos encontros, identificamos os principais desafios. Essas informações foram a base do projeto”, explicou Mauro. Porém, apesar dos esforços nenhum dos trabalhos foi aprovado, mesmo depois de ressubmetidos. epresentante da Abia.

Na opinião de Mauro, as negativas do Fundo para os projetos brasileiros ocorreram porque não existe uma prioridade para o financiamento para países de renda média-alta como o Brasil. “O foco é o tratamento e não ações com a sociedade civil”, declarou. Na opinião de Teixeira, o Fundo Global tem dificuldade de entender o SUS (Sistema Único de Saúde) e a forma de trabalhar conjunta entre governo e sociedade civil.

A representante da Abia negou os boatos de que o Brasil apresentou o mesmo projeto nos anos de 2008 e 2009.

Próximos passos

Para este ano os projetos de tuberculose e de aids estão sendo elaborados pela sociedade civil com o apoio do governo. No caso da aids, serão focadas ações voltadas para populações de usuários de drogas, profissionais do sexo, HSH (Homens que Fazem Sexo com Homens), gays e travestis. Já para a tuberculose, o projeto que está sendo construído visa a população carcerária.
Fonte: Agência de Notícias da Aids





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