Profissionais de Saúde
A diferença
entre quem se infectou pelo HIV
por transmissão vertical ou horizontal

Marinella Della Negra
Supervisora da 2ª Unidade de Internação do
Instituto de Infectologia Emílio Ribas
Quando trabalhamos com adolescentes soropositivos,
notamos que há, tanto na parte clínica como na psicossocial,
uma grande diferença entre os adolescentes de transmissão
vertical e adolescentes de transmissão horizontal.
Os adolescentes do primeiro grupo, ou seja, infectados através
da transmissão mãe / filho, são adolescentes
que durante sua vida já foram submetidos a seguimento e tratamento,
deles próprios e de seus pais. Estão convivendo com
pais doentes ou já são órfãos. São
cuidados por familiares ou estão institucionalizados. Esta
população é tratada com muito cuidado e poupada,
na maioria das vezes, do seu diagnóstico, crescendo e chegando
à adolescência sem ter o conhecimento do porquê
do constante acompanhamento médico e da medicação
utilizada.
Esses adolescentes, devido às condições em
que são cercados durante o crescimento, apresentam, na maioria
das vezes, um retardo em seu desenvolvimento psicossocial. Há
uma resistência por parte de familiares e cuidadores da revelação
diagnóstica, apesar da tentativa dos profissionais de saúde
(médicos, psicólogos) de convencer os cuidadores do
quanto é importante que o adolescente saiba da sua condição
sorológica para que possa tomar as rédeas de seu próprio
tratamento, de seu cuidado e do próximo.
Os adolescentes de transmissão horizontal, ou seja, infectados
por via sexual, usuários de drogas endovenosas e infectados
por sangue e hemoderivados, com exceção desses últimos,
que têm por parte da família e do serviço de
saúde um tratamento e cuidados semelhantes ao de transmissão
vertical, apresentam um comportamento de sua parte e do serviço
de saúde, totalmente diferente.
Os adolescentes infectados por via sexual e uso de drogas endovenosas
não têm, via de regra, um atraso no desenvolvimento
psicossocial. São, em sua maioria, originários de
famílias desestruturadas e das quais não recebem apoio.
Quando esses adolescentes, por alguma razão, procuram o serviço
de saúde e é pedido um teste para HIV (muitos são
adolescentes grávidas que fazem o teste no pré-natal),
o resultado lhe é passado sem nenhum preparo prévio,
mesmo tendo este adolescente a mesma idade do adolescente de transmissão
vertical, como se o fato de praticar sexo ou usar droga, os preparassem
para receber um resultado deste porte.
Acredito que, devido ao aumento do número de adolescentes
vivendo com HIV/AIDS, é a hora propícia para que,
juntos, os profissionais de saúde e esses adolescentes discutam
uma melhor abordagem e o melhor momento, por parte da equipe profissional
e dos familiares em revelar o diagnóstico, para que possamos
ter um resultado mais promissor no tratamento, na socialização
e na qualidade de vida. |