| Circulador
Saúde
para todos
Construindo parcerias para promover
a saúde da população negra

A inclusão da população
negra na formulação de políticas
públicas é um desafio em um país
como o Brasil, que aboliu a escravidão há
pouco mais de 100 anos e ainda tem grande dificuldade
em identificar e enfrentar o racismo. Na área
da saúde não é diferente, sobretudo
no que diz respeito à redução do
preconceito e da mortalidade.
Apesar dos desafios, as conquistas são muitas
– é o que mostra a Rede Nacional de Religiões
Afrobrasileiras e Saúde, que em agosto de 2009
promoveu o I Seminário Nacional de Religiões
Afrobrasileiras e Controle Social de Políticas
Públicas de Saúde.
Prestigiado por representantes das comunidades de terreiro,
pais e mães de santo que integram a prática
da religiosidade aos princípios do Sistema Único
de Saúde (SUS), o evento ressaltou a importância
do controle social para a promoção da
saúde da população negra.
“Ao todo, somos 36 núcleos, espalhados
por 22 Estados. Entendemos que a política de
saúde ocorre em nível municipal e por
isso trabalhamos diretamente com a gestão local,
em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde,
sempre interligados por uma coordenação
nacional”, informou o presidente da Rede, José
Marmo.

O saber dos terreiros Valorizando as potencialidades
da população negra, o Seminário
reforçou a relação entre religião
e saúde e debateu a participação
dos terreiros na definição de políticas
públicas.
Em sua palestra, a coordenadora de Políticas
e Ações Intersetoriais da Secretaria Municipal
de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ),
Viviane Castello Branco, destacou princípios
da Política Nacional de Promoção
da Saúde que estão presentes nas tradições
afrobrasileiras: saber popular, identidade cultural,
visão holística da saúde, celebração
da vida. “É preciso integrar os saberes.
As comunidades de terreiro precisam das políticas
de saúde e as políticas de saúde
precisam das comunidades de terreiro”, considerou.
SUS discute a equidade em saúde da população
negra Inúmeros relatórios e documentos
descrevem os agravos à saúde da população
negra, que podem ter origem genética, como a
anemia falciforme, ou estar associados a desigualdades
sociais e ao racismo. Enfrentar estes desafios e promover
a equidade na atenção à saúde
é a missão do Comitê Técnico
de Saúde da População Negra do
município do Rio de Janeiro, criado em 2007.
“A Política Nacional de Saúde da
População Negra já existia e nós
precisávamos refletir sobre essa questão
também na esfera do município. Então,
criamos o Comitê. A política ainda não
estava regulamentada, mas nós já estávamos
refletindo sobre ela, com a participação
efetiva de várias representações
da sociedade”, apresentou Louise Silva, coordenadora
de Educação em Saúde da SMSDC-RJ
e coordenadora do Comitê. As reuniões do
Comitê estão abertas a todos os interessados
e ocorrem toda segunda terça-feira do mês,
às 14h, na Secretaria.

Quesito raça/cor
Durante muitos anos, o desconhecimento sobre a população
negra prejudicou o acesso à saúde: na
década de 70, o Censo sequer abordava informações
sobre etnia/raça/cor. “A reestruturação
do quesito etnia/raça/cor requer vários
passos e o primeiro é a reformulação
das fichas de atendimento dos serviços de saúde.
Estamos trabalhando para incluir esses dados em todos
os impressos oficiais, adequar os sistemas de informação
e aperfeiçoar os registros referentes à
saúde desta população”, anunciou
a enfermeira Monique Miranda, da Coordenação
de Educação e Saúde da SMSDC- -RJ
e co-coordenadora do Comitê.
Ideias e perspectivas
Muitos outros projetos também
estão em andamento.Um exemplo é a Caravana
do Axé, que promove alimentação
saudável e prática de exercícios,
sempre valorizando a cultura dos terreiros. Louise Silva
contou, no Seminário, que a ideia surgiu quando
ela começou a frequentar estes espaços
religiosos: Percebi a necessidade de ampliar a integração
dos terreiros com os serviços de saúde
da área em que estão inseridos, possibilitando
a criação de espaços privilegiados
para trabalhar os conceitos de respeito à diversidade
religiosa, à prevenção e à
promoção da saúde?

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