| Profissionais de Saúde
Serviço de Saúde
e Sociedade Civil
A Importância das Parcerias

Alaíde Elias da Silva
Presidente do Grupo Viva Rachid
Edvaldo Souza
Coordenador do Serviço de Imunologia e
Reumatologia Clinica do Instituto Materno Infantil de Pernambuco
(IMIP)
O primeiro caso de aids em criança (transmissão vertical)
no estado de Pernambuco foi diagnosticado no Instituto Materno Infantil
de Pernambuco (IMIP) em 1987. A partir deste caso, o IMIP se tornou
Centro de Referência Estadual para aids em crianças
em 1988 e Centro de Referência Nacional em 1992. Inicialmente,
a maior proporção de casos era de crianças
e adolescentes que adquiriram o HIV por transfusões. Posteriormente,
os casos de aids por transmissão vertical foram aumentando
progressivamente de acordo com acometimento de mulheres em idade
fértil. A epidemia da aids, desde seu início, sempre
requisitou uma abordagem mais abrangente do paciente e seus familiares,
não se limitando somente à abordagem médica
tecno-científica. Os primeiros profissionais de saúde
do início da epidemia, geralmente de formação
médica exclusiva, tiveram que desdobrar sua atenção
para áreas da psicologia, enfermagem e serviço social.
A aids pediátrica por transmissão transfusional não
se revestiu de particularidades diferentes da aids do adulto pela
mesma categoria de transmissão. Contudo, a aids pediátrica
por transmissão vertical se revestiu de particularidades
próprias, como orfandade, revelação de diagnóstico
em escolas e creches, dependência de cuidador para adesão
ao acompanhamento e tratamento. Posteriormente, foi formada a equipe
multiprofissional melhorando a assistência dos indivíduos
portadores de infecção pelo HIV/aids e seus familiares,
porém persistiam dificuldades sociais que limitavam a assistência
e uso de anti-retrovirias: dificuldade financeira para transporte
nas visitas agendadas, renda familiar baixa impedindo a oferta de
alimentação adequada e cuidados de higiene individual
e ambiental, tudo isso associado a condições precárias
de moradia. Todos esses fatores dificultavam muito a assistência
das crianças portadoras de infecção pelo HIV
e trazia muita frustração aos profissionais de saúde,
por se sentirem incapazes de atuar fora de sua área de trabalho.
O Grupo Viva Rachid foi fundado em 1994 pela Sra. Alaíde
Elias da Silva, mãe de um menor que faleceu de aids transfusional
em 1993. A Sra. Alaíde sempre lutou pela melhor qualidade
de assistência integral para seu filho Rachid e, com sua morte,
resolveu continuar e ampliar sua luta para ajudar as crianças
carentes com infecção pelo HIV/aids atendidas no IMIP.
O Grupo Viva Rachid possui equipe de trabalho multiprofissional
atendendo na sede do GVR e também no IMIP, incluindo psicóloga,
terapeutas ocupacionais, assistente social, voluntários,
entre outros. Dentre as atividades realizadas pelo GVR, podemos
citar visitas domiciliares, distribuição de cestas
básicas (135/mês), distribuição de vitaminas
e suplementos alimentares, eventos sociais (festa do dia das crianças
e de natal), intermediação com conselhos tutelares,
benefícios do INSS, serviços jurídicos, prefeituras
e secretarias municipais, reformas de domicílios, distribuição
de filtros, colchões, travesseiros, roupas, geladeiras, fogões,
camas, televisores e armários.
Desde o início das atividades do Grupo Viva Rachid com os
pacientes cadastrados no IMIP, ficou evidente a semelhança
e o objetivo principal de Dr. Edvaldo e D. Alaíde, que era
e continua sendo a luta pela melhor qualidade na assistência
às crianças e adolescentes com infecção
pelo HIV/aids. De um lado, Dr. Edvaldo lutando por melhores condições
físicas e de conforto no setor assistencial, controlando
a oferta regular de medicamentos, atualizando e capacitando outros
profissionais, etc. De outro lado, D. Alaíde elaborando projetos
para dar sustentatibilidade às ações sociais
e filantrópicas realizadas pelo Grupo Viva Rachid e colaborando
com a qualidade de assistência em saúde oferecida pelo
IMIP. Essa característica de articulação entre
serviço de saúde e ONG foi sempre ímpar, pelo
menos no estado de Pernambuco, e caracterizada por trabalho mútuo,
integrado, articulado e complementar.
Atualmente, essa parceria está trabalhando em projeto de
criação de dois grupos para estimular e melhorar a
adesão ao tratamento, revelação de diagnóstico
e saber viver positivamente com o HIV, que são os Grupos
de Cuidadores e de Adolescentes.
Pode-se dizer que a qualidade de vida e sobrevida das crianças
infectadas pelo HIV no estado de Pernambuco apresenta dois marcos
bem evidentes: a criação do Grupo Viva Rachid e a
terapia anti-retroviral combinada.
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