Profissionais de Saúde
Adolescentes em conflito
com a lei

André de Souza
Educador Social / Presidente da Associação Vida Positiva
Ao trabalhar junto a jovens privados de liberdade,
nosso objetivo é impulsioná-los a trilhar um caminho
diferente daquele que eles já conhecem – o caminho
da criminalidade. Nossa meta é criar oportunidades para que
esses jovens percebam que só eles têm o poder de mudar
seu projeto de vida.
Atualmente, coordeno o projeto Sensibilização e Conscientização
em DST, HIV/aids e Drogas, que há três anos desenvolve
oficinas com jovens internos na Febem. Durante as dinâmicas
realizadas, pudemos perceber que muitos deles guardam dentro de
si uma criança que raramente teve oportunidade de brincar.
Diante disso, foi preciso mudar nossa postura como educadores, cuidadores
e monitores para que obtivéssemos algum resultado com esse
trabalho. Também se tornou evidente, ao trabalhar com esses
adolescentes, a necessidade de incluir seus pais e acompanhantes
e os funcionários da Febem nas dinâmicas do projeto.
Passamos a olhá-los com um olhar diferenciado, não
como números, mas individualmente. Cada um tem sua história
e sua família, que sofre também pelo preconceito de
ter um filho na Febem.
É importante que a sociedade perceba que aqueles adolescentes
que vemos, através da TV, em telhados durante as rebeliões,
não vivem em uma realidade que não nos diz respeito.
Eles poderiam ser um membro da nossa família ou comunidade
que, por algum momento, não foi assistido de forma correta,
por nós ou pelo governo. Precisamos urgentemente de políticas
públicas específicas para estes jovens. Desde a prevenção
contra DST/aids, devido à vulnerabilidade em que vivem dentro
das unidades de detenção, até subsídios
para sua liberdade.
É preciso acreditar que o futuro vai ser melhor e ter consciência
de que a chance de mudar a nossa história que está
em nossas próprias mãos.
Como funcionam as
oficinas
Durante a semana, os adolescentes e funcionários são
divididos em três turmas de oficinas. Pais e acompanhantes
participam nos finais de semana, aproveitando o dia de visitas,
para não sobrecarregar financeiramente pessoas já
tão sofridas e com dificuldade de obter o dinheiro da passagem,
muitas do interior de SP.
No primeiro ano do projeto, realizamos o vídeo "A Escolha".
Vídeo pioneiro, onde o adolescente constrói desde
a história até o trabalho de ator.
No segundo ano do projeto, foi feito o vídeo "Adolescência
Interrompida". Este projeto foi um pouco mais complexo devido
à situação atual da Febem. O vídeo,
na verdade, se transformou em um pequeno documentário, com
a participação dos adolescentes. |