| Circulador
Retratos
da inclusão
social
Acesso é a palavra de ordem
para iniciativas de promoção da saúde
que lidam com populações nas mais variadas
situações de vulnerabilidade. Violência,
necessidades
especiais, falta de estrutura familiar. Apesar das
dificuldades em lidar com as diferenças, algumas
iniciativas começam a conquistar resultados positivos

Hospitais
promovem
saúde integral |
 Laços
de solidariedade para promover a inclusão
social. Esta é a estratégia da Associação
Saúde Criança, que trabalha há
18 anos para reestruturar famílias de crianças
atendidas no Hospital da Lagoa.
Muitas vezes os pequenos pacientes recebem alta,
mas como não têm estrutura para continuar
o tratamento em casa entram em um perigoso ciclo
de internação-reinternação.
“A gravidade do estado de saúde de
uma criança que chega ao hospital é
só a pontinha do iceberg. Por trás
dos sintomas, existem muitos problemas sociais”,
afirma a médica Vera Cordeiro, fundadora
da Associação Saúde Criança.
Desde o início das atividades da ONG, o
Hospital da Lagoa registra a redução
de 60% nas reinternações infantis.
Para conquistar estes resultados, a iniciativa
opera a partir do Plano de Ação
Familiar, que engloba cinco áreas: saúde,
profissionalização, moradia, educação
e cidadania. O modelo inspirou a criação
de outras organizações vinculadas
ao sistema público de saúde, que
seguem a mesma metodologia e hoje compõem
a Rede Saúde da Criança. Na Secretaria
Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio
de Janeiro (SMSDC-RJ) atuam as ONGs Reagir, no
Hospital da Piedade; Repartir, no Hospital Jesus;
Repensar, no Hospital Loreto; Responder, no Hospital
Miguel Couto; Retribuir, na Maternidade Carmela
Dutra e Ressurgir, no Hospital Salles Neto. “Educando
para a saúde, para a vida e para a geração
de trabalho e renda conquistaremos a inclusão
social”, aposta Albenita de Barros Correia,
Presidente da ONG Ressurgir. |
| Hanseníase
e promoção
da cidadania |
A hanseníase tem cura,
o tratamento está disponível no
SUS e, mesmo assim, a doença ainda é
fonte de preconceito. A falta de informação
leva à discriminação e dificulta
a prevenção e o tratamento. “Muitas
vezes o paciente não percebe que está
doente e as incapacidades resultantes das lesões
neurológicas são absorvidas como
parte do patrimônio da ‘normalidade’”,
alerta a dermatologista Raquel Tardin, coordenadora
do Programa de Controle da Hanseníase no
município do Rio de Janeiro.
A prevenção das incapacidades físicas
é possível quando o diagnóstico
é precoce e o tratamento imediato. No Rio,
18 pólos de prevenção e tratamento
de agravos em hanseníase garantem melhor
qualidade de vida a quem tem a doença,
promovendo tratamento clínico, assistência
social, sessões de fisioterapia e terapia
ocupacional.

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Bem
estar do portador
de deficiência |
A missão do Centro
Integrado de Atenção à Pessoa
Portadora de Deficiência (CIAD), no Rio
de Janeiro, é valorizar as potencialidades
da pessoa com deficiência. “Pessoas
com as mesmas lesões escrevem histórias
diferentes. Costumamos dizer que o meio pode tornar
a pessoa mais deficiente do que ela realmente
é”, destaca a pediatra Sandra Lobo,
Coordenadora do Programa de Reabilitação
da Prefeitura do Rio de Janeiro.
O trabalho tem início nas maternidades.
“Quanto mais cedo a reabilitação
começar, maior a possibilidade de a criança
alcançar um desenvolvimento próximo
de outras realidades”, Sandra reconhece.
No CIAD, uma ampla rede de serviços inclui
diagnóstico clínico, uso adequado
de recursos tecnológicos para o tratamento
e ações interdisciplinares de fisioterapia,
fonoaudiologia e terapia ocupacional. |
Autonomia
para fortalecer
a saúde mental |
Criadas em 2000 como parte
integrante da Política de Saúde
Mental do Ministério da Saúde, as
Residências Terapêuticas colaboram
para a reintegração social de quem
sai dos hospitais psiquiátricos. São
casas e apartamentos destinados a pessoas com
transtornos mentais que permaneceram em longas
internações e não podem –
ou não querem – retornar às
suas famílias. No Rio, 169 pacientes estão
em acompanhamento.
Para ser encaminhado a uma moradia assistida,
é preciso desenvolver autonomia para responder
às exigências do cotidiano. “A
autonomia é o coração do
nosso trabalho. Nosso horizonte é a cidade,
não simplesmente a casa, e os pacientes
recebem apoio contínuo para a reconstrução
do cotidiano”, considera a psicóloga
Patrícia Albuquerque, coordenadora dos
Serviços Residenciais Terapêuticos
no Rio de Janeiro. |
Violência:
uma questão
de saúde |
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A violência é um
dos principais problemas do Rio de Janeiro e influencia
diretamente a qualidade de vida da população.
De uma maneira geral, o apoio às pessoas
envolvidas em situação de violência
se limita ao atendimento emergencial. Para alterar
esta realidade, o Núcleo de Promoção
da Solidariedade e Prevenção das
Violências da Secretaria Municipal de Saúde
e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ) envolve
profissionais de saúde, educação
e assistência social na construção
de uma cultura de paz.
Treinamentos regionais ampliam as ações
educativas, a notificação e a qualidade
da atenção nos serviços de
saúde.
Também estão sendo estabelecidas
parcerias para fortalecer a rede de proteção
às pessoas em situação de
vulnerabilidade. “Estamos implantando a
nova ficha de notificação da violência,
incorporada ao Sistema de Informação
de Agravos de Notificação. São
informações importantes para elaboração
de políticas públicas de acordo
com as realidades locais”, descreve a assistente
social Jeanne de Souza Lima, co-coordenadora do
Núcleo.

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