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Com força e
com vontade
Ex-balconista de drogaria, Militão Vieira investiu no curso
técnico

Militão Vieira, de 28 anos, não
esconde o orgulho que sente da própria história. Baiano
de Itagiba, ele tinha chegado ao Rio de Janeiro com o diploma do
ensino médio e estava empregado como balconista em uma drogaria.
Um dia, uma colega comentou sobre a Habilitação Profissional
de Técnico em Farmácia, curso oferecido pelo Senac
[conheça mais sobre o curso na matéria de capa]. Militão
gostou da idéia: “Paguei as mensalidades com meu salário
de balconista mesmo.
E olha que eu era casado!”, brinca. Formado há dois
anos, o rapaz mostra que tomou gosto pelo estudo. Agora faz a graduação
em Farmácia na Unigranrio, em Duque de Caxias.
Além da faculdade, o que você tem feito?
Trabalho no Inca (Instituto Nacional do Câncer). Recentemente,
fiz um concurso para auxiliar-técnico da farmácia
de lá, mas não passei. Logo depois, comecei a trabalhar
em regime de contrato temporário. Além disso, tenho
feito todos os concursos que aparecem.
O curso técnico lhe deu um bom preparo para a prática
diária?
Com certeza. Enquanto estudava no Senac, estagiei no IPEC (Instituto
de Pesquisa Clínica Evandro Chagas/ Fiocruz). Então,
uma colega de lá me indicou para uma ONG, a Médicos
Sem Fronteiras, e, em seguida, fui para o Pedro Ernesto (Hospital
Universitário Pedro Ernesto / UERJ).
O que o curso lhe ensinou sobre a assistência às
pessoas com Aids?
Aprendi na prática, quando estagiei no IPEC e no Pedro Ernesto.
Mas o que enfrentei no dia-a-dia em relação aos portadores
do HIV não foi tão diferente do que acontecia com
os outros pacientes. Os problemas são parecidos.
Você está começando a atuar numa área
cheia de problemas, mas parece muito animado.
O SUS me surpreendeu. A gente ouve falar tão mal, a televisão
mostra problemas terríveis, eu não acho que seja tão
ruim. Eu via, por exemplo, no Pedro Ernesto, os profissionais correndo
atrás para dar o melhor atendimento possível aos pacientes.
A farmácia onde eu trabalhava era um cubículo, atendíamos
a doze programas ao mesmo tempo e não tínhamos espaço
para mais de duas pessoas lá dentro. Acho que os jornalistas
focalizam um ou outro caso particular realmente grave, mas acabam
passando uma falsa impressão do conjunto. A realidade não
é tão ruim.
Você conhece outra pessoa chamada Militão?
[Risos] Isso é coisa do Nordeste. Militão era o pai
do meu pai.
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