Bem-vindo ao mercado de trabalho
ONGs apostam em projetos de capacitação
e geração
de renda e preparam o caminho para a independência
financeira de pessoas vivendo com HIV/aids


Possibilitar que pessoas vivendo com HIV/aids
pos sam inserir-se no mer cado de trabalho e ter a pers pectiva
de produzir e gerar renda é um desafio que muitas Organizações
Não Governamentais (ONGs) estão dispostas a enfrentar.
Nos últimos anos, ONGs, por meio de parcerias com o Departamento
de DST e Aids do MS e Agências de Cooperação
Inter nacionais, começaram a investir em projetos de capacitação
pro fissional das pessoas soro po si tivas.
“A partir do momento que conseguimos ter um olhar diferenciado
na descoberta da capacidade dessas pessoas, fortalecendo ações
que complementam a prevenção, estamos contribuindo
para o rompimento das barreiras do preconceito”, afirma
Adilce da Conceição Silva Lima, Presidente e Coordenadora
de Projetos Sociais da Associação Brasiliense de
Combate à Aids - Grupo Arco-Íris.
Inclusão PositHIVa
O Arco-Íris tem investido, há alguns anos, em ações
que visam à inclusão de seus participantes no mercado
de trabalho. O projeto Inclusão PositHIVa é um exemplo.
A iniciativa, que conta com apoio do MS, Usaid e Pact Brasil,
busca capacitar pessoas vivendo com HIV/aids, oferecendo cursos
profissiona lizantes, como os de garçom e de corte e costura.
O aumento da renda dos participantes é um dos resultados
do projeto. “Os que participaram dos cursos de bordado em
pedraria e de cus to mização foram encaminhados
à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Trabalho
do Distrito Federal para aquisição da carteira de
artesão”, orgulha-se Adilce. Além de dar identidade
ao trabalhador artesanal, a carteira oferece vantagens, como a
participação em feiras promovidas por instituições
que apóiam os artesãos.
Para Bruna*, as atividades são importantes para a autoestima
do soropositivo. “Comecei nas oficinas como aluna e depois
a diretora me chamou para atuar como monitora”, conta. “Esse
espaço me mos trou que mesmo vivendo com HIV eu posso trabalhar.
Eu descobri que sou capaz”, afirma.
A experiência da Bahia
O Gapa/Ba, também tem a postado em projetos de geração
de renda. As oficinas de um projeto piloto que teve duração
de um ano abriram novos horizontes para seus participantes.
Arislene Cerqueira sempre teve veia empreendedora. “Quando
estava cansada de usar os mesmos acessórios, eu pegava
as minhas bijuterias e modificava”, diz. Porém, foi
através das oficinas que a jovem começou a desenvolver
sua criatividade, transformando seu talento em renda. “Antes
do projeto eu só fazia colares de fita e, para minha surpresa,
a última encomenda que recebi foi um convite de casamento.
Eu nunca imaginei fazer algo desse tipo”, conta.

Unindo talentos
As
perspectivas são muitas. “Quero continuar fazendo
meus trabalhos manuais e, quem sabe, no futuro, abrir minha própria
loja. Eu tenho interesse em fazer bolsas, em aprofundar minha
criatividade nessa área. A ideia é produzir junto
com uma colega da oficina, que já possui uma marca de bolsas”,
afirma.
A colega a quem Arislene se refere é Jaci, que viu sua
produção de bolsas aumentar ao participar do projeto.
“Aprendi a comprar materiais melhores e mais baratos. Consegui
comprar uma máquina industrial, terminar minha casa e comprar
um tanquinho. Tudo graças ao projeto”, ressalta.
O programa Viver+, uma parceria entre o MS, a Usaid e a Pact Brasil,
apoiou e viabilizou as iniciativas de Brasília e Salvador.
Os resultados obtidos nessas duas cidades refletem a mudança
de paradigma já existente no país, onde o trabalho
com as pessoas que
vivem com HIV/aids é cada vez mais focado na participação
deles no processo e não apenas como beneficiários
de ações.
Autoestima maior
Tania Tenorio, coordenadora do Programa de Direitos Humanos da
ONG Gestos, em Recife, acredita ser importante para a qualidade
de vida das pessoas atendidas pelo projeto, que elas se sintam
capazes de prover o seu próprio sustento. “É
fundamental promover a autonomia financeira das mulheres, a conquista
da igualdade de gênero no mundo do trabalho, e a superação
de preconceitos e dificuldades sociais e econômicas”,
afirma.
Assim, tentando reverter o contexto de desemprego vivenciado pelas
mulheres que participam da Gestos, a ONG oferece oficinas de artesanato
com cabaça e cerâmica. A ideia tem dado certo. “Esse
projeto me mostra que sou capaz, onde quero chegar”, afirma
a participante Rosineide Silva.
Wanessa Lima, que também realiza as oficinas, acredita
que a iniciativa é uma etapa para a realização
de sonhos. “Eu quero ser bem sucedida com esse trabalho
com as cabaças e com as cerâmicas, que meu grupo
tenha continuidade e renda bastante para dar um futuro melhor
para nossos filhos e filhas e ter minha independência financeira,
que é o que mais quero na vida”. Para a colega Edna
Belarmino, o projeto se resume em poucas palavras: “alcançar
os nossos objetivos”.

* Nome fictício