Saber Viver
10 anos de luta,
protagonismo e muita saúde
SÃO 10 ANOS. 45 EDIÇÕES. 90 MIL EXEMPLARES
DISTRIBUÍDOS EM MAIS DE 680 UNIDADES DE SAÚDE
E ONGS EM 283 CIDADES NAS CINCO REGIÕES DO PAÍS.

Em 1999, apenas alguns serviços de saúde do Rio
de Janeiro recebiam os 6 mil exemplares da revista. Hoje, dos
grandes centros urbanos aos municípios mais afastados,
todos os Estados brasileiros têm acesso aos 90 mil exemplares
impressos a cada edição. Nestes 10 anos, a Saber
Viver rompeu fronteiras e chegou também a outros países,
como Cuba, Inglaterra, Portugal e países africanos de língua
portuguesa.
“A Saber Viver veio preencher lacunas, interferindo positivamente
na vida das pessoas com HIV/aids. Foi um impulso para fortalecer
a luta contra aids, agora multiplicado por dez”, comemora
o psicanalista George Gouvea, vicepresidente do Grupo Pela Vidda
do Rio de Janeiro.
“A Saber Viver tem um significado muito importante na história
da epidemia de aids no Brasil. Chegou devagarzinho, ocupando grupos
de ajuda mútua, serviços de saúde e hoje
é um espaço único de protagonismo para as
pessoas que vivem com HIV. Seus 10 anos são motivo de orgulho
para todos nós”, reconhece o diretor do Departamento
Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa, que
começou no movimento antes de chegar ao Ministério
da Saúde.
Ponte entre ONG e usuário
Dirigentes de ONGs reconhecem que muitos soropositivos chegam
pelas reportagens ou pela Área Útil da Saber Viver.
Essa ponte traz benefícios para os dois lados: fortalece
o papel das ONGs no combate à epidemia e oferece um caminho
aos leitores que buscam nessas organizações serviços
ou a porta de entrada para o movimento social.
É por isso que os 10 anos da Saber Viver são celebrados
por todos. Nas próximas páginas você lerá
depoimentos de soropositivos, dirigentes de ONGs e profissionais
de saúde que nesta última década nos ajudaram
a fazer parte da história da aids no Brasil e no mundo.


AVANÇOS NO TRATAMENTO DA AIDS
Muitos avanços foram observados no tratamento
das pessoas vivendo com HIV/aids nos últimos 10 anos. O
surgimento de novos medicamentos – mais potentes, com menos
comprimidos e efeitos colaterais; o teste de genotipagem –
que identifica a resistência do HIV aos medicamentos; e
o tratamento contra a lipodistrofia – que possibilita recuperar
a autoestima perdida foram algumas dessas conquistas.
O infectologista Mauro Schechter, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), destaca o surgimento da classe dos inibidores
de integrase: “As drogas dessa classe impedem que o DNA
do HIV se integre ao material genético do paciente, o que
impede que novas células sejam infectadas e interrompe
o ciclo de vida do vírus”.
Outra conquista importante dessa década, segundo Schechter,
é a redução do índice de transmissão
do HIV durante a gravidez e o parto, atualmente inferior a 1%.
Próximos desafios
Apesar dos avanços, os desafios para o futuro são
muitos. O diagnóstico precoce é um deles. “Muitas
pessoas têm medo de realizar o exame, mas conhecer a infecção
é o primeiro passo para enfrentá-la”, aponta
Schechter.
A atenção integral ao paciente é outro ponto
de destaque. “A tendência da epidemia está
mudando. Atualmente, a maioria das mortes de pessoas com HIV é
provocada por doenças cardiovasculares. É preciso
estar atento a fatores como níveis de lipídios e
colesterol, por exemplo, para prevenir essas doenças”,
afirma o médico.
Para o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais
do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, a adesão
continua sendo um grande desafio. “Disponibilizar o medicamento
não basta. Os serviços de saúde devem ser
capazes de entender e atender o usuário como um sujeito
diverso, a partir de sua individualidade e respeitando as dificuldades
específicas de cada um”, considera.
